O Diagnóstico e as Famílias

Se tem uma coisa na clinica que marca para sempre as famílias  é quando se recebe o diagnóstico. Este momento é, ao mesmo tempo, desesperador e reconfortante.

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Muitas vezes acontece uma verdadeira peregrinação entre pediatras, neurologistas e psiquiatras antes que se tenha um numero de CID: Mil exames são realizados para descarte de condições físicas ou neurológicas, pessoas próximas julgam a mãe (ou cuidador), profissionais despreparados falam que “cada um tem seu tempo”, a escola não sabe o que fazer, nem o que é, só que “existe alguma coisa errada”, o tempo vai passando e a esperança de que “ele vai melhorar conforme crescer” vai diminuindo cada dia mais.  Nisso a criança e sua mãe ficam, de consultório em consultório  sem resposta nenhuma, sem saber o que fazer,  o que leva as famílias a um enorme desgaste físico e emocional.

E então, quando finalmente se tem um CID, ou um nome para “aquilo que acontece com meu filho”, chega um outro momento: “E agora, o que eu faço? O que é isso que ele tem? Como vai ser a vida de meu filho? Como vai ser a minha vida? O que ele precisa fazer? Onde eu vou? Quem faz isso?”

Se, por um lado a família recebe uma resposta as suas dúvidas, por outro surge em sua frente um mar de dúvidas, angústia e incertezas.  Passado o tempo de luto, culpa,  negação e raiva – perfeitamente normal-, começa então uma busca desenfreada por conhecimento da condição de seu filho: Internet, cursos, palestras, grupos de pais, livros…   E junto a busca por tratamentos adequados: Qual médico é melhor, quanto médicos, precisa  psicopedagogia, terapia ocupacional, musicoterapia, fonoaudiologia, equoterapia, fisioterapia, etc, etc, etc.

Na ânsia de fazer o melhor por seu filho, os pais bombardeiam a criança com terapias e profissionais diversos, esperando que, desta forma, seu filho se torne “como as outras crianças”. Ainda surgem profissionais com promessas mágicas e milagrosas de “cura” que levam á mais frustração.

Infelizmente não existe mágica e não existe um único  melhor profissional do mundo. As vezes o que serve para um não serve para o outro, além do mais a confiança e a parceria pais/terapeutas  é fundamental para o avanço do tratamento.

Meus conselhos aos pais que acabaram de receber o diagnóstico são:

*Respire, aceite e pense. Antes de preencher 40hs da criança com terapias, tenha uma pessoa de referencia na qual você possa se apoiar.Pergunte, questione, tire todas as duvidas que vocês possam ter.

* Procure associações e ongs da condição que seu filho apresenta, troque ideias com outras mães, reflita no que você quer para o futuro de seu filho.  A troca com pessoas na mesma condição que você ajuda.

*Existem diversas linhas de tratamento, diversos modelos e técnicas, e, uma delas servirá para a criança.  Uma não é melhor que a outra, somente mais indicada para o seu caso. Nem sempre se acerta de primeira, pesquise bastante, converse e, sinta-se seguro com o(s) profissional(is) que escolher. Peça indicações da escola, do médico, de outros pais.

*Porém, cuide para não se iludir com promessas milagrosas como “faço teu filho falar em três meses”, ou ao contrário, questione e duvide de prognósticos definitivos como “ele nunca irá falar”, especialmente para crianças pequenas.

*Por fim, não esqueçam de serem pais e mães. Confiem na equipe de terapeutas escolhidas e curtam seus filhos sem se preocupar em continuar por 24hs por dia as terapias. Afeto, carinho e brincadeira entre pais e filhos as vezes promovem canais de comunicação tão ou mais efetivos do que os pais sendo “co terapeutas”.

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