Desmistificando a terapia ABA

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Imagine o seguinte cenário: Um determinado setor de um banco precisa fazer com que a produtividade aumente para bater a meta anual para não haver demissões.  O gestor do setor considera duas opções:
a) Pressiona a equipe ameaçando com demissões, fazendo com que os funcionários trabalhem “na marra”, sob pressão, não importa o que eles tenham que fazer;
b) Não comenta das demissões e determina  que haverá, ao fim do trimestre; uma avaliação de desempenho individual que resultará em uma promoção com aumento de salário. Esta avaliação considerará, além  da venda, o relacionamento com os colegas e clientes.
Esta situação é comum e faz parte do dia a dia. Agora vamos vê-la sob a ótica da Analise Aplicada do Comportamento:
Um determinado setor de um banco precisa fazer com que a produtividade aumente para bater a meta anual para não haver demissões. (aqui temos o que chamamos de estimulo discriminativo ou  antecedente, ou contexto: SD) O gestor do setor considera duas opções: (que resultarão em um COMPORTAMENTO: B por parte dos funcionários)
a) Pressiona a equipe ameaçando com demissões, fazendo com que os funcionários trabalhem “na marra”, sob pressão, não importa o que eles tenham que fazer; (Aqui teríamos então,  um REFORÇO NEGATIVO (SR-) ou AVERSIVO, que poderia ate aumentar, a curto prazo a produtividade, porém a longo prazo  TERIA COMO CONSEQUÊNCIA (C) a hostilização entre colegas, desmotivação, desânimo, e diminuição da produtividade.
b) Não comenta das demissões e determina  que haverá, ao fim do trimestre; uma avaliação de desempenho individual que resultará em uma promoção com aumento de salário. Esta avaliação considerará, além  da venda, o relacionamento com os colegas e clientes. (Aqui teríamos o chamado REFORÇO POSITIVO (SR+), pois, teria como CONSEQUENCIA (SC), alem de fazer com que cada funcionário tenha motivação própria para atingir a meta, maior produtividade e melhora do relacionamento interpessoal)
Em outras palavras teremos:
aba
Olhando assim parece difícil e complexo, mas na verdade é bem simples: Análise do Comportamento Aplicada (Applied Behavior Analysis; abreviando: ABA) é um termo advindo do campo científico do Behaviorismo Radical, que observa, analisa e explica a associação entre o ambiente, o comportamento humano e a aprendizagem. Uma vez que um comportamento é analisado, um plano de ação pode ser implementado para modificar aquele comportamento.
ABA tem como principio o Condicionamento Operante que significa que um comportamento seguido por um estímulo reforçador resulta em uma probabilidade aumentada de que aquele comportamento ocorra no futuro. Todos nós aprendemos através de associações e nosso comportamento é “modificado” através das conseqüências. Tentamos coisas e elas funcionam; então as fazemos novamente. Tentamos coisas e elas não funcionam; então é menos provável que as façamos novamente. Nosso comportamento foi “modificado” pelo resultado ou conseqüência.

aba (1)

ABA na verdade é  um termo “guarda-chuva”,que descreve uma abordagem científica (BEHAVIORISMO RADICAL) que pode ser usada para tratar inúmeras questões, utilizando diferentes  intervenções ou técnicas específicas:  Temos DDT, PRT, RBI, ES/VS, Incidental Teaching, Natural Enviroment Teaching, Encadeamento de Tras para Frente, Programa de Tarefas, Comportamento Verbal, Modelagem, Token System, entre outros.
Deixo claro que utilizar uma técnica do ABA isolada, por uma situação especifica em sala de aula por exemplo, é diferente de termos um programa ABA estruturado. 
Infelizmente temos hoje, no Brasil, muita desinformação e preconceito no que tange a intervenções comportamentais de forma geral. Transcrevo agora uma parte de um texto de Livia Rech de Castro (referência aqui) sobre isso:
“O primeiro ponto que merece ser destacado é a falta de informação sobre o assunto. Temos uma história marcada pela época da modificação do comportamento, como o início do que fazemos hoje. Se pensarmos nas origens do Behaviorismo, temos Ivan Pavlov e a teoria do condicionamento respondente e Watson com o Behaviorismo Metodológico, considerando que todo e qualquer comportamento pode ser explicado por estímulos e reflexos, validando apenas o que é passível de observação. Podemos pensar até mesmo no próprio Skinner, no início de seus trabalhos, com experimentos e estudos de organismos relativamente simples, a exemplo de ratos e pombos. Esta história, apesar de essencial para a prática dos dias atuais, se não contextualizada, inevitavelmente produz críticas sem fundamento que ouvimos por aí.Outro ponto que merece destaque são os pressupostos que embasam a filosofia Behaviorista Radical. Nascemos em uma comunidade que nos ensina a pensar que as “causas” do comportamento são internas. Na Idade Média, a Igreja explicava a ação do homem de acordo com sua alma. Estas capacidades da alma agiriam como pulsões sobre o homem e explicariam seu comportamento por impulsionarem-no à ação. Desta forma, objetos e eventos criariam ideias em suas mentes, controlando suas ações. Nesta posição, o homem é concebido por ter duas naturezas: divina e material, mental e física (Matos, 1997).“Choramos porque estamos tristes”. Para aprender a pensar de forma que “choro” (público) e “tristeza” (privado) fossem analisados enquanto parte de uma mesma classe, tivemos que deixar de lado uma vida inteira de aprendizagens segundo as quais respostas emocionais encobertas eram condições antecedentes para comportamentos. O behaviorismo radical parte de um pressuposto monista de homem, no qual todos os fenômenos estão em uma dimensão física e natural, isto desconsidera o dualismo mente x corpo e os conceitos metafísicos (mente, inconsciente, ego etc.). Sendo assim, comportamentos encobertos (privados) não são causa de comportamento, pois tanto os eventos públicos como privados estão em uma mesma dimensão natural (Guimarães, 2003). A partir disso, ouvimos: “analistas do comportamento trabalham de forma mecanicista, e desconsideram sentimentos e emoções.” Automaticamente, esta frase funciona como condição antecedente para a raiva que sentimos ao ouvi-la. É necessário tornar claro que o behaviorismo radical não nega sentimentos, emoções ou a importância da significação de uma experiência para um indivíduo, simplesmente não toma emoções, sentimentos, nem a significação deles como causa dos comportamentos. A diferença é que apenas tratamos estes fenômenos sem distinção, de forma a observá-los como qualquer outro comportamento. (Guimarães, 2003). Ninguém melhor do que Skinner (1989) para acrescentar que: “Como as pessoas se sentem é, geralmente, tão importante quanto o que elas fazem”.
Assim, ABA nada mais é do que Identificação de comportamentos alvo, Avaliação ou estabelecimento de relações funcionais entre o comportamento e o ambiente, e Tomada de medidas diretas dessas relações, considerando aspectos contextuais e as implicações do comportamento alvo para a inclusão do indivíduo na sociedade, bem como Avaliação constante comparando com as medidas iniciais e verificação do progresso. 
Ouve-se criticas como “é a mesa coisa que treinar um cachorro”, “comportamental é superficial”, entre outras bobagens, contudo, para montarmos um programa ABA uma das coisas fundamentais é justamente o estudo exaustivo dos antencedentes ou do contexto. Para crianças não verbais, este estudo exige muita interpretação, porém esta interpretação não é a interpretação psicanalítica que leva em conta fatores passados inconscientes. É uma interpretação baseada em dados, observações, fatos, números.  Aqui consideramos que um comportamento disruptivo de uma criança autista   pode ter como causa a vontade de comunicar algo (e cabe a nos esta interpretação com base no padrão, observado através da avaliação e coleta de dados constante). Na terapia ABA, intervem-se constantemente. Interesses restritos na terapia ABA são, gradativamente extintos e aumentados, ao invés de esperar anos que a própria criança autista consiga simbolicamente, entender o porque da fixação daquele brinquedo… É um tempo muito grande perdido. A neurociência hoje nos trás cada dia mais evidencias da importância da intervenção efetiva e diretiva.
Dentro dos TEA, a terapia ABA é a unica que oferece, cientificamente, efetivas evoluções nas áreas de: Linguagem, Habilidades Sociais, Habilidades Acadêmicas, Habilidades do Brincar e Habilidades do Auto Cuidado.
Em minha opinião, o mais bacana da terapia ABA é que seu  o objetivo principal para as crianças diagnosticadas com autismo é aumentar a percepção que elas têm do mundo ao redor, suas interações sociais e sua comunicação. Para isso, as tarefas de aprendizagem propostas  são formuladas de modo a auxiliar as crianças a atentarem adequadamente para os contextos e pessoas com quem convive. Os programas ABA constroem pré requisitos  de atenção e habilidades básicas de aprendizagem para que as crianças sejam capazes de aprenderem sem ajuda e estarem preparadas para desenvolver conhecimentos complexos,  direcionando as potencialidades de aprendizagem já presentes nas crianças, permitindo que elas sejam efetivadas de maneira apropriada.Ao ensinarmos, através de ABA, persistimos no ensino, repetindo-o pacientemente tantas vezes quanto for preciso; compreendemos o ritmo de cada criança; não compararmos uma criança com a outra e reconhecemos e vibramos com cada conquista. Temos respeito, motivação e participação.
É importante ressaltar que ABA  não é aversivo e geralmente rejeita qualquer tipo de punição. A participação dos familiares da criança no programa é de grande contribuição para seu sucesso e assegura a generalização e manutenção de todas as habilidades aprendidas pela criança.
Em minha opinião, a terapia ABA é capaz de produzir algo tão difícil no Espectro Autista: a Generalização, pois é capaz de estender-se para outros ambientes, estender-se para outros comportamentos e estender-se para outras pessoas. o Terapeuta que monta o programa ABA pode treinar utras pessoas a aplica-lo em diferentes contextos. Aos poucos serão tratadas aqui no blog, as técnicas mais utilizadas em ABA.
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Fontes: Revista Autismo, Robson Faggiani (autor do gráfico),textos diversos.
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