TEA e Mercado de Trabalho

Evento: Debatendo Autismo e Marcado de Trabalho.

2904_autismo2Foi realizado o evento “Autismo e mercado de trabalho: encaixando peças” na sede do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS), na manhã desta terça-feira (29). Foi apresentada a experiência do Procedimento Promocional (PROMO) 000828.2012.04.000, realizado pelo MPT em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem (Senac) e com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio Grande do Sul (SRTE-RS). O evento reuniu representantes das instituições e público de aproximadamente 140 pessoas.

Segue aqui, o link do MPT da 4ª região onde  disponibilizo os slides de apresentação do evento organizado para apresentação das ações.

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Sobre a contratação de pessoas com TEA:

Um dos focos de meu trabalho na assessoria de processos inclusivos é o mercado formal de trabalho. Faço parte de um projeto muito bacana que se destina à inclusão de autistas no mercado de trabalho. É uma parceria MPT, MTE, SENAC.

Este projeto nasceu como um desejo de incluir estes sujeitos, tanto no mercado de trabalho formal, como em cursos profissionalizantes ou de aprendizagem, a partir de uma parceria entre o promotor do Ministério Publico Federal do Trabalho da PRT4, Fabiano Holtz Bezerra, a auditora fiscal e Coordenadora do Projeto Estadual de Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no RS, Ana Maria Machado da Costa e a diretora da Unidade Comunidade do Sistema Fecomércio-RS – Senac-RS Cecília Grinberg Herynkopf, com a promulgação da lei LEI Nº 12.764, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA).  Ana Costa é uma pessoa que luta incansavelmente pelos direitos das pessoas com deficiência, fiscalizando muito mais do que o cumprimento da lei… Fabiano tem em empenho enorme em fazer com que as pessoas que, historicamente ficaram a margem da sociedade, hoje estejam efetivamente inseridas em todos os contextos que lhes é de direito.  Cecilia abraça todas as causas que pode, transformando o SENAC Comunidade em um local que acolhe e promove igualdade de oportunidades para todos aqueles que jamais são vistos.

Red question mark from questions.Apesar de existir o amparo legal para contratação de pessoas com TEA enquanto deficientes, surgiram dificuldades e dúvidas de como se fazer esse processo: Quem são essas pessoas? Como identificar habilidades? Como se dará o treinamento e a contratação desta clientela?

Inicialmente se pensou em criar uma turma de aprendizagem para pessoas com TEA. Porém, todos estavam com inúmeras duvidas. Foi então que eu entrei… o SENAC contratou o serviço de assessoria em processos inclusivos a fim de clarear como deveriam ser feitas as etapas seguintes.

Por ser um projeto pioneiro, não haviam diretrizes a serem seguidas: a construção deste projeto seria diária, descobrindo caminhos a serem seguidos, traçando metas e objetivos diariamente, revendo constantemente a atuação de todos os envolvidos.

Desta maneira, o primeiro movimento foi elaborar uma avaliação psicopedagógica, baseada na analise funcional,  especifica para esse fim, com a verificação de habilidades cognitivas, sociais, psicomotoras, comportamentais e comunicacionais,  de acordo com as necessidades do local onde estariam inseridos: o foco passa a se não os déficits apresentados, mas as habilidades já desenvolvidas. Desta forma foram avaliados os candidatos individualmente:  Além da verificação de determinados aspectos que se fazia indispensável para orientar também os professores que os ensinariam. O laudo deveria ser claro e acessível com uma linguagem “não técnica” de fácil entendimento, pois estariam a disposição das empresas e seus gestores.
Após estas avaliações, foi sugerido que o projeto se desdobrasse em três modalidades:3f84ffd21d5117a6aeff9df67140d0e0

-Encaminhamento direto ao Mercado de Trabalho;
-Inclusão em turmas regulares de Aprendizagem;
-Inclusão em turmas de Aprendizagem para PCD’s.

Cada uma destas modalidades teria demandas específicas e se dariam basicamente pelo nível de habilidades de cada sujeito. TEA é um mundo particular onde existem graus diversos e bem diferentes entre si: Não haveria a possibilidade de se abrir uma turma só de pessoas com autismo.

A analogia que pode ser feita é a da infância: entre 0 e 7 anos temos a infância. Contudo, um bebê de 3 meses tem demandas e habilidades muito diferentes de uma criança de 6 anos.

Além deste movimento, seriam necessárias formações teórico-práticas para os professores que acompanhariam estes jovens, suporte a manejos, atendimentos individuais em alguns casos e treinamento na empresa para os gestores que os recebessem.
Assim, em fevereiro de 2013, iniciou-se o trabalho.

Balanço de 2013:

O saldo até o momento é positivo.  Essas pessoas até pouco tempo atrás viviam em um limbo onde não eram considerados deficientes, não tendo, portanto, nenhum direito social, alem de não ter participação social nenhuma pelas dificuldades –principalmente sociais- inerentes a sua condição.

A iniciativa do SENAC COMUNIDADE, SRT-RS E MPF, serviu para inserirmos estas pessoas na sociedade, mostrando seu potencial, seu valor e suas capacidades. Em nossa cultura, autistas são diferentes, estranhos e um grande mistério para maioria das pessoas… O autismo, obviamente não é uma cultura; é um transtorno de desenvolvimento causado por uma disfunção neurológica. Entretanto, o autismo também afeta a maneira que pessoas se alimentam, se vestem, usam seu tempo de lazer, entendem seu mundo, se comunicam, etc. Consequentemente, de alguma forma, o autismo funciona como uma cultura, sob a perspectiva de que ele produz padrões de comportamento característicos e previsíveis nas pessoas sob esta condição.

Se o papel do terapeuta no atendimento clinico é entender ambas as “culturas” e ser capaz de traduzir as expectativas e procedimentos de um ambiente não-autístico para o autismo, o papel do SENAC foi o de concretizar e efetivar essa tradução.

De todos os jovens inseridos, apenas 2 acabaram por não se manter no emprego.

Hoje temos jovens e adultos com diferentes graus do Transtorno trabalhando, com a carteira assinada.  Temos autistas de alto funcionamento, autistas moderados e aspergers inseridos, efetivamente contribuindo ao local onde estão. Se, a entrada destas pessoas é por força da Lei, sua continuidade dá-se pelos ganhos qualitativos que ocorrem para todos os envolvidos.

Não foi e não é um processo fácil. Não se pode fechar os olhos e achar que tudo é lindo, porque muitos ajustes tem que serem feitos. Há muita resistência e, mesmo no inicio, ouvi muitas criticas de todos os lados, inclusive de colegas terapeutas. Os professores para capacitação destes jovens também estavam receosos, as familias tinham muito medo, as empresas então, eram um mar de desconhecimento! Mas estamos caminhando. Com mais êxito do que fracasso!

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